Era dos condomínios 4.0

09/09/2018

Ao fazermos um retrospecto, observamos que ao longo das décadas de 70 até 2010, mesmo com o advento do novo código civil , não tivemos mudanças relevantes na forma de gerir condomínios, já em 2010, com o "boom imobiliário", nasceram os primeiros condomínios clubes, em sequência consolidando o modelo de gestão por síndicos profissionais, gerando novas demandas.

Atualmente os lançamentos imobiliários já vem de "fabrica" equipados com vasta "tecnologia embarcada na edificação"; Startups fornecem sistemas de toda ordem além dos financeiros e administrativos, para atender as mais diversas necessidades, atingindo as áreas operacionais do condomínio, como monitoramento de elevadores, bombas , caixa d'água, geradores, controle de acesso, etc.

Aplicativos notificam síndicos em tempo real, quando uma bomba para de funcionar, o gerador está sem combustível, um condômino esquece a porta aberta, o fluxo de pessoas na portaria e de veículos nas garagens, leituras de agua, gás, tudo acessados em um único click no smartphone.

Ao somar as solicitações de respostas rápidas aos condôminos, gestão de conflitos, cuidados com a edificação, sistema de portaria remota, condomínio online, elevamos a exigência da sindicância a um nível de profissionalização nunca visto antes no setor, onde novas demandas colocam a gestão condominial em um novo patamar, denominado neste artigo de condomínios 4.0 em alusão movimento revolucionário Industria 4.0.

Para entender este cenário tecnológico dos Condominios 4.0, e qual o papel do sindico nesta nova era, precisamos primeiro compreender o que é a Indústria 4.0, ou a chamada 4ª revolução industrial, iniciada na Alemanha em 2011, empregando robótica avançada, inteligência artificial, internet das coisas e aprendizagem automática, elementos que combinados, transformarão processos produtivos e entrega de novos serviços em um nível de eficiência de uma forma jamais vista antes.

Esta novo cenário no ambiente dos negócios, promovido pela Industria 4.0, acontece após três processos históricos transformadores. A primeira marcou o ritmo da produção manual para mecanizada à vapor, nos anos de 1800. A segunda, por volta de 1850, trouxe a eletricidade e permitiu a manufatura em massa. E a terceira aconteceu em meados do século 20, com a chegada da eletrônica, da tecnologia da informação e das telecomunicações.

Hoje os equipamentos estão conectados e comunicam entre si por uma rede de sensores, os gestores apenas monitoram o trabalho, que de forma robótica, são executados por aplicativos, programados para tomarem decisões de forma autônomas sem interações humanas em determinada ocorrências que exigem uma ação emergencial, como a liberação de pessoas presas em um elevador em pane por falta de energia.

O grande desafio é que nas outras revoluções industriais, a sociedade e os profissionais disponham de décadas para se adaptar, já nesta tudo está acontecendo de forma muito mais rápida. Tal situação nos leva a seguinte pergunta, qual a postura que iremos adotar em relação a esta mudança? Antecipar-se, acompanhar ou seguir?

Condomínios 4.0, exigirão síndicos 4.0 para estar frente a sua gestão. Devemos refletir o que diferenciará a inteligência humana da inteligência artificial e quais serão as habilidades exigidas nesta era. Para isso, é precisamos quebrar os paradigmas, mudar o nosso modelo mental e nos ajustar a esta nova realidade.

Na era do condomínios 4.0, sairão na frente, quem romper um ou mais limites entre os mundos digital, o mundo físico, que são as coisas e o mundo biológico, que são as pessoas, para criar ou alterar sua cadeia de valor ofertado para o mercado.

Estudos apontam que, prosperarão na 4° revolução industrial, quem tiver capacidade de resolução de problemas complexos, pensamento crítico, criatividade, gestão de pessoas, liderança e inteligência emocional; você está preparado?

Prof. Odimar Manoel é auditor e instrutor de treinamentos na área condominial